quarta-feira, fevereiro 28, 2007
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
sábado, fevereiro 17, 2007
Vamos dormir um sono?
"O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor (desejo que se aplica a um número incontável de mulheres), mas através do desejo de partilhar o sono (desejo que só se sente por uma única mulher)."
Milan Kundera em: "A Insustentável Leveza do Ser"
Milan Kundera em: "A Insustentável Leveza do Ser"
domingo, fevereiro 11, 2007
Casa
"Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração."
poema de David Mourão Ferreira
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão. . .
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração."
poema de David Mourão Ferreira
domingo, fevereiro 04, 2007
O Poeta
O poeta é o ser frágil
Que de cima nos espia
E em solitária nos interpreta.
Verso a verso caminha sobre as águas
E mais levita a cada palavra.
O poeta sonha acordado…
Vagueia vagueia e vagueia
Questiona, obtém algumas respostas
Por vezes mente a dizer verdade,
Conta apenas aquilo que lhe interessa…
O resto fica intercalado na prisão de um parêntesis
Cuja pressa na leitura poderá dissimular.
O poeta vive algures
Entre o real e o abstracto:
Debaixo duma caixinha de música;
Sentado numa nuvem;
Ou na mina mais profunda.
Está em todos os pontos cardeais e não consta do mapa
Não tem bússola mas dela não carece,
Não se encontra, no entanto, não se procura.
O poeta trespassa a matéria
Com tal subtileza,
Imperceptível
Até tocar a sua música
No fundo do nosso peito,
Extinguindo-se as palavras, vivendo a poesia.
Que de cima nos espia
E em solitária nos interpreta.
Verso a verso caminha sobre as águas
E mais levita a cada palavra.
O poeta sonha acordado…
Vagueia vagueia e vagueia
Questiona, obtém algumas respostas
Por vezes mente a dizer verdade,
Conta apenas aquilo que lhe interessa…
O resto fica intercalado na prisão de um parêntesis
Cuja pressa na leitura poderá dissimular.
O poeta vive algures
Entre o real e o abstracto:
Debaixo duma caixinha de música;
Sentado numa nuvem;
Ou na mina mais profunda.
Está em todos os pontos cardeais e não consta do mapa
Não tem bússola mas dela não carece,
Não se encontra, no entanto, não se procura.
O poeta trespassa a matéria
Com tal subtileza,
Imperceptível
Até tocar a sua música
No fundo do nosso peito,
Extinguindo-se as palavras, vivendo a poesia.







